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Câncer de língua: sinais e chances de cura

Câncer de língua: sinais e chances de cura
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)
8 min. de leitura

Um dos tipos mais comuns de câncer de cabeça e pescoço, costuma acometer pessoas mais velhas com histórico de tabagismo e consumo de álcool.

O câncer de língua é um tipo de tumor que surge e se desenvolve nas células da língua e é mais um do grupo dos cânceres de boca. Esse tipo de câncer não é dos mais comuns, mas requer bastante atenção, principalmente porque muitas vezes se inicia a partir de sinais discretos, que podem ser facilmente confundidos com problemas simples, como, por exemplo, aftas ou machucados.

Abordar o tema “câncer de língua” é fundamental para aumentar a conscientização e mostrar a importância que o diagnóstico precoce tem para a cura: quanto antes identificada, maiores são as chances de se livrar da doença e menores as sequelas do tratamento.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estatísticas apontam que o câncer de língua acomete, em sua maioria, a população masculina. O fumo (tabagismo) é um fator de risco e um dos grandes vilões da saúde bucal, representando 95% dos casos de câncer de boca. O álcool vem em seguida, contribuindo para a formação desses tumores.

Continue a leitura para entender como o câncer de língua surge, quais são sintomas, como é feito o diagnóstico e as possibilidades de tratamento.

O que é o câncer de língua?

É considerado um tumor maligno que se forma nas células que revestem a superfície da língua. Geralmente, trata-se de um carcinoma espinocelular, que se origina nas células escamosas da mucosa oral (tipo mais comum quando falamos em câncer de língua).

Costuma surgir na parte da frente da língua (chamada de língua oral) ou na base da língua – que fica mais próxima da garganta. Localizar corretamente é importante, pois influencia tanto nos sintomas quanto no tratamento.

Uma curiosidade é que o câncer de língua, quando ocorre na parte frontal, costuma ser percebido mais cedo, enquanto os tumores na base podem demorar mais para causar sintomas evidentes.

Causas e fatores de risco do câncer de língua

O câncer de língua é muito associado a alguns hábitos e condições de saúde. Podemos citar como principais fatores de risco:

  • Tabagismo (e isso inclui cigarro eletrônico e narguilé);
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Infecção pelo HPV (principalmente nos tumores da base da língua).

O risco é ainda maior quando há a combinação de tabaco e álcool. Além disso, má higiene bucal, próteses desajustadas e histórico familiar também podem contribuir.

É importante mencionar que o câncer de língua consegue acometer pessoas que não fumam ou bebem, mas esses casos são menos frequentes.

Um ponto que merece atenção é a infecção por HPV: a condição tem sido cada vez mais associada ao câncer de língua, principalmente nos mais jovens. Assim, a vacinação contra o HPV apresenta-se como uma medida indispensável de prevenção.

Sinais e sintomas comuns do câncer de língua

Inicialmente, os sintomas do câncer de língua podem ser sutis. Geralmente, o primeiro sintoma é uma ferida na língua que não cicatriza após duas ou três semanas. Uma mancha branca ou avermelhada persistente também pode aparecer, além de sintomas como:

  • Dor na língua ou na boca;
  • Dificuldade para mastigar ou engolir;
  • Sensação de algo preso na garganta;
  • Sangramento sem causa aparente;
  • Nódulo no pescoço (quando há comprometimento dos gânglios).

Em estágios mais avançadas, o câncer de língua apresenta dor intensa, bastante dificuldade até para falar e uma possível alteração na mobilidade da língua. Com isso, reforçamos a necessidade de, em caso de qualquer lesão persistente, buscar avaliação de um especialista urgentemente.

Qual exame detecta câncer na língua?

O diagnóstico do câncer de língua começa com uma avaliação clínica detalhada, normalmente a partir de exames como endoscopia, tomografia computadorizada ou radiografia. O cirurgião de cabeça e pescoço também examina a boca, a língua e o pescoço, observando alterações suspeitas. Caso identifique uma lesão que não parece benigna, o próximo passo é realizar uma biópsia.

A biópsia é o principal método para confirmar o câncer de língua. Nele, um pequeno fragmento da lesão é retirado e enviado para análise em laboratório. Exames de imagem, como tomografia, ressonância magnética e PET-CT, devem ser solicitados para avaliar a extensão do tumor.

Como diferenciar o câncer de língua de outras doenças?

Importante reforçar que nem toda ferida na língua é câncer de língua: aftas, infecções fúngicas e traumas causados por mordidas ou próteses mal ajustadas são situações comuns. A principal diferença está no tempo em que essas feridas permanecem, já que essas lesões costumam melhorar em poucos dias.

O câncer de língua costuma apresentar uma lesão duradoura, endurecida e que pode crescer ao longo do tempo, podendo haver dor progressiva e sangramento. Apenas a avaliação médica e a biópsia conseguem diferenciar com segurança.

O câncer de língua tem tratamento?

A resposta é positiva! O câncer de língua tem tratamentos, e as chances de sucesso são maiores quando o diagnóstico é precoce. Nesses casos, uma abordagem terapêutica pode ser indicada, mas depende do tamanho do tumor, da localização e se espalhou para os gânglios do pescoço ou outras regiões.

O tratamento do câncer de língua geralmente inclui a remoção cirúrgica da área comprometida pelo tumor, procedimento conhecido como glossectomia. Dependendo da extensão da retirada, podem ocorrer alterações na mobilidade, na fala e até no aspecto da língua.

Cirurgia de câncer de língua: como é realizada?

Caso identificado no início, muitas vezes é possível realizar um procedimento mais simples, onde é retirado apenas a área comprometida pelo câncer de língua. Essa abordagem é chamada de cirurgia conservadora da língua ou glossectomia parcial.

Para situações mais avançadas, deve ser indicada a hemiglossectomia (remoção de metade da língua) ou até a glossectomia total, que consiste na retirada completa do órgão. Para esses casos, o cirurgião pode reconstruir a língua utilizando tecidos de outras regiões do corpo, como o tórax ou a coxa. Essa reconstrução pode ser feita no mesmo ato cirúrgico da retirada do tumor ou em um segundo momento. Para tumores situados na base da língua, a cirurgia robótica por via transoral costuma ser uma alternativa. Também é fundamental avaliar o risco de disseminação para os linfonodos do pescoço, podendo ser necessária a biópsia do linfonodo sentinela ou o esvaziamento cervical, procedimento que remove os gânglios linfáticos da região.

Passada a cirurgia, muitos pacientes conseguem manter a fala e a capacidade de engolir sem grandes prejuízos. Porém, em intervenções mais extensas, pode ser necessário um período de recuperação mais longo, com reabilitação específica. Assim, um acompanhamento com fonoaudiólogo é essencial para a retomada da fala e da deglutição. Em alguns casos, a terapia ocupacional também é indicada para auxiliar na adaptação a novas formas de alimentação e comunicação, contando ainda com o suporte de um nutricionista.

Qual a chance de cura de câncer de língua?

Depende principalmente do estágio em que a doença é diagnosticada. Quando identificada em fase inicial, as taxas de cura podem ultrapassar 70% a 80%:

  • Em tumores localizados (sem comprometimento de linfonodos ou metástase), as taxas de sobrevida em cinco anos podem superar 80%;
  • Em casos com envolvimento regional (linfonodos no pescoço), essa taxa cai para aproximadamente 68%;
  • Nos casos com metástase à distância, as estatísticas apontam para cerca de 40% de sobrevida em cinco anos;
  • Em detecção muito precoce, algumas fontes relatam que as chances de cura podem ultrapassar 90%.

Como prevenir o câncer de língua?

A prevenção do câncer de língua envolve mudanças de hábitos e bastante atenção à saúde bucal, incluindo:

  • Parar de fumar;
  • Reduzir ou evitar o consumo de álcool;
  • Manter boa higiene oral;
  • Vacinar-se contra o HPV.

Somado a isso, consultas regulares ao dentista vão além da qualidade dos dentes, uma vez que ajudam na identificação precoce de alterações suspeitas. O autoexame da boca é também uma possibilidade de prevenção: observar a língua e a cavidade oral em frente ao espelho ajuda a notar mudanças.

Qual médico realiza o tratamento de câncer de língua?

O médico responsável pelo diagnóstico e tratamento do câncer de língua é o cirurgião de cabeça e pescoço. Esse profissional é altamente capacitado para lidar com tumores que acometem a boca, a língua, a garganta e outras estruturas da região.

No geral, o tratamento do câncer de língua costuma envolver oncologista clínico, radioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista e dentista. Essa equipe integrada garante um cuidado mais completo, do diagnóstico até a reabilitação.

Se notar qualquer sinal persistente na língua, não ignore. Entre em contato com o Dr. Pablo Quintana e agende uma consulta.

 

Fontes:

Dr. Pablo Quintana

National Center for Biotechnology Information

Instituto de Oncologia do Paraná